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“Halloween à Brasileira”: narrativas, medo e pertencimento na escola pública

  • Foto do escritor: Angelina Travenzoli
    Angelina Travenzoli
  • 28 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura

A atividade Halloween à Brasileira nasceu do cansaço dos alunos do noturno com as práticas tradicionais de leitura — e também da minha insistência em provar que a escola pode ser um lugar vivo, inventivo e culturalmente situado. Em vez de trabalhar contos de terror importados ou repetir fórmulas literárias que pouco dialogam com o cotidiano deles, decidimos olhar para nossa própria cidade: suas lendas, seus medos e suas memórias.


Os estudantes pesquisaram histórias da Região Metropolitana de Belo Horizonte — como “A Loira do Bonfim”, “O Homem do Saco”, “A Procissão das Almas em Contagem”. A partir dessas narrativas, criamos roteiros, planejamos sons e compusemos episódios de podcast que misturavam oralidade, paisagens sonoras e elementos da cultura local.


A prática foi profundamente inclusiva: alunos com dificuldades de leitura participaram como narradores; quem tinha vergonha de falar ficou responsável pela trilha sonora; quem trazia repertórios culturais contribuiu com histórias da família; e quem sempre se considerou “ruim de português” pela primeira vez sentiu que tinha algo importante a dizer.


Mais do que um trabalho de terror, foi um trabalho de pertencimento.Assumir nossas histórias — inclusive as que assustam — é também assumir nossa voz no mundo.


Objetivos da Prática Pedagógica

Objetivo geral

Criar narrativas sonoras baseadas em lendas brasileiras, articulando oralidade, cultura local e princípios inclusivos do DUA.

Objetivos específicos

  • Explorar lendas urbanas e folclore brasileiro.

  • Desenvolver a oralidade e a expressão vocal.

  • Escrever roteiros de maneira coletiva e colaborativa.

  • Promover participação acessível para estudantes cansados, ansiosos ou com dificuldades de leitura.

  • Articular cultura, identidade, medo e criatividade.

  • Desenvolver multiletramentos por meio da produção do podcast.



Competências da BNCC

CG3 – Repertório Cultural

CG4 – Comunicação

CG5 – Cultura DigitalL

P4 – OralidadeL

P5 – Produção textual multimodalL

P7 – Linguagem e identidade


Sequência Didática

Etapa 1 – Abertura: medos e memórias

Roda de conversa: “Quais histórias de medo vocês conhecem?”.Ativação de repertórios locais.


Etapa 2 – Pesquisa de lendas brasileiras

Leitura de pequenos textos, vídeos e relatos orais.Discussão sobre origem, personagens e clima narrativo.


Etapa 3 – Escrita colaborativa dos roteiros

Construção coletiva: narrador, descrição, sons, clima, finaleira.Aplicação de DUA: várias formas de contribuição.


Etapa 4 – Ensaios e marcações sonoras

Pausas, sussurros, ritmos, entonação, trilhas de ambiente.


Etapa 5 – Gravação e edição

Gravação simples com celular; edição leve; adição de efeitos.


Etapa 6 – Audição coletiva

Escuta no recreio noturno.Comentários, risadas, sustos e orgulho.


Resultados

  • Engajamento alto, inclusive dos mais cansados.

  • Protagonismo e criação de textos significativos.

  • Participação de alunos com TEA nível 1 e ansiedade.

  • Fortalecimento da autoestima acadêmica.

  • Conexão entre cultura local e escola.

 
 
 

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